sábado, 28 de maio de 2011

O que a tv não mostrou!

Quem assistiu o jornal 2° edição de ontem 30/05 e não conhece o pebinha de açúcar como é chamado carinhosamente o município de Parauapebas deve ter imaginado que a cidade é uma favela e que nenhuma de suas ruas é asfaltada. Afinal a matéria exibida ontem não mostrou uma única rua asfaltada na cidade.
Como se não bastasse isso, quem assistiu atentamente a reportagem percebeu a edição, mal feita por sinal, durante a entrevista do Prefeito Darci Lermen, afinal a reportagem não queria que fosse ao ar o outro lado da historia.
Ao que parece leitores do blog 2012 em Parauapebas já começou. A tentativa dos setores conservadores de Parauapebas em tentar marginalizar a imagem do prefeito só aumenta a cada dia.

O que a TV não mostrou?

A tv até mostrou a nova sede da prefeitura mas esqueceu de mostrar como era a prefeitura na época dos governos da Fel / Fazmal.
Esqueceu de mostrar o trem da vale que chega todos os dias com 300 pessoas vindo morar nesta cidade, o que nos faz ter um novo desafio a cada dia, diante do crescimento desordenado.
Não mostrou que a cada mês 7 km de asfalto são feitos nesta cidade!
Também esqueceu de mostrar as escolas,que quando recebemos o governo estavam todas caindo. Hoje além de reformadas, até o final do ano estarão todas climatizadas e com data-show e cada professor terá um laptop. Mas podem falar dos anexos. Sim, também temos anexos, mas diferentemente dos governos anteriores, todos climatizados. É importante lembrar que não é uma situação permanente. Existem 7 escolas em construção e mais 7 sendo licitadas. E quem lembra dos antigos anexos? Tinha um que era ate perto de um chiqueiro de porco. Naquela época a filha da Fel estava estudando na Austrália.
A tv também não mostrou que as escolas também vão para a zona rural. Não mostrou quantas propriedades rurais foram mecanizadas, gerando renda para os colonos. Não mostrou quantos caminhões a prefeitura disponibiliza para que os mesmos colonos venham vender sua produção na feira do produtor. Não mostrou também o projeto PIPA, que atende 700 crianças em situação de vulnerabilidade social. Não mostrou o centro Integrado da Melhor Idade, onde os idosos recebem atendimento. Muito menos mostrou todo apoio que é dado aos atletas de Parauapebas que hoje viajam em ônibus confortáveis e com recursos para uma boa estadia, enquanto que em governos passados iam em ônibus caindo aos pedaços, quando iam.
Esqueceu de mostrar também como houve uma melhora no ordenamento da cidade com a exigência, pela prefeitura, de loteamentos regularizados. Antes, quando as eleições se aproximavam,invasões eram promovidas e depois os governantes não lembravam de levar infra estrutura para o local. Só para citar, em 1991, o Fazmal invadiu a fazenda do Serraria. Tudo bem, muitas famílias hoje tem onde morar mas me digam quem conseguiu dar o título definitivo dos lotes para a população? Darci Lermen! E hoje varias famílias conseguiram realizar o sonho da casa própria com essa nova forma de ordenamento da cidade.
Não mostraram também as 1000 casas populares que estão sendo construídas, em parceria com o programa minha casa minha vida, nem as 600 construídas com recursos próprios no inicio de seu governo. Bom se eu for enumerar aqui o que foi feito nos últimos 7 anos, certamente levaria muito tempo...

Parauapebas mudou nos últimos anos e mudou para melhor!

Fomos o primeiro município paraense a criar um orgão especifico de formulação de politicas publicas para as mulheres a Secretaria da Mulher de Parauapebas, apesar do município já ter sido administrado por uma mulher. Aqui, foi preciso um prefeito homem pra criar uma Secretaria da Mulher.
Contamos hoje com uma rede de prevenção a violência contra a mulher com a Casa Abrigo, Defensoria Publica da Mulher, Centro de Referencia e Casa da Mulher que e um espaço voltado somente para cursos com o objetivo de qualificar estas mulheres e garantir a elas sua autonomia.

Que município paraense tem essa rede?

Nenhum! Nem a capital do estado têm!A nível de estado o que temos é uma coordenadoria de politicas para as mulheres sem a menor estrutura e sem condições reais de articular politicas publicas para as mulheres, um abrigo administrado pela secretaria de assistência social a beira de um colapso...
A quem quiser dizer o contrario a caixinha de comentários ta liberada! Eu topo o desafio!
Isso tudo só foi possível porque em 2004 o povo de Parauapebas decidiu mudar, decidiu romper com as oligarquias locais e eleger um professor para administrar esta cidade, um professor que foi capaz de enfrentar a poderosa mineradora para defender o nosso município. E que por esse motivo esta sendo vitima de uma tentativa de lixamento publico bancado pelo PIG ( Partido da Imprensa Golpista)
Em 2012 teremos eleição novamente, e certamente o povo desta cidade não vai querer voltar ao passado, no tempo em que a prefeitura funcionava em uma casa de madeira,cheia de cupins, no tempo onde as mulheres vitimas de violência não tinham a quem recorrer.
Parauapebas mudou para melhor e com certeza vai continuar mudando! È verdade que a cidade não esta do jeito que gostaríamos mas é só olhar pra trás, que não sentiremos saudade!
Depois de duas derrotas consecutivas nas urnas ( uma para o executivo e outra para o legislativo) ela anunciou no programa do Mauro Bonna que vai ser candidata a prefeita em Parauapebas novamente. Pois que venha e o povo, que e a maior autoridade nessa historia toda, e que vai decidir.
A eleição em 2012 em Parauapebas será uma eleição plebiscitaria! Será a escolha entre o novo e o velho! Entre a continuidade da mudança e a volta ao passado! A disputa entre um projeto de transformação e o projeto conservador! Uma disputa de classes que certamente os trabalhadores e trabalhadoras serão os grandes vitoriosos

O código da moto serra!


Nos últimos dias a blogueira esteve em Brasília participando de evento realizado pela Secretaria Especial de Políticas para Mulheres do Governo Federal (SPM). Durante minha estadia na capital federal a câmara dos deputados aprovou o código florestal que na verdade é mesmo: o da moto serra! Na volta pra casa, no avião, encontrei com vários ruralistas que residem aqui no sul do Pará comemorando a vitoria! A vitoria do desmatamento da amazônia!

No avião, percebi que o barulho da turbina era diferente, era um barulho de moto serra!

No sul do Pará, região onde resido, eles já colocaram a floresta a baixo faz tempo, venderam a madeira e fizeram pasto para criar gado.

Punição aos desmatadores? Que nada! A câmara aprovou anistia a eles e o que é pior aprovou também a regulamentação do desmatamento!

Enquanto isso ambientalistas são assassinados em nossa região.

E os deputados paraenses? Exceto Cláudio Puty (PT) e Arnaldo Jordy (PPS) todos os outros votaram com o latifúndio!

Uma vergonha!

15 mil paraenses participam de caminhada contra corrupção

Ao todo 15 mil pessoas, entre representantes da sociedade civil, políticos, entidades não governamentais e da sociedade em geral estiveram em caminhada na manhã deste sábado (28) pelas ruas de Belém em uma manifestação contra a 'Corrupção, pela Vida e pela Paz'. A mobilização teve início às 10h, em frente à sede da OAB-PA, e seguiu pela Travessa Padre Eutíquio até à sede da Alepa (Assembleia Legislativa do Pará).
O presidente da OAB-PA, Jarbas Vasconcelos, ressaltou a importância da mobilização. 'A OAB foi uma das entidades que estve à frente quando tiramos o Collor de Melo do poder. Também mostramos que temos força quando pedimos a prisão do ex-governador Arruda, no Distrito Federal. Por isso pedimos que a sociedade acredite que aqueles que roubaram a Alepa serão julgados, condenados, terão os bens sequestrados e serão presos', afirma Vasconcelos.

'A OAB é maior do que qualquer coisa. Seu maior cliente é a sociedade e por ela é que nós vamos lutar', acrescenta o presidente da OAB-PA.


Comunidade também protestou contra os 'fichas-sujas', pedindo dignidade e ética na política do país

A população aproveitou a oportunidade para expressar sua indignação em relação a onda de corrupção no Estado com faixas e cartazes e bonecos. 'Queremos justiça!', afirmam os participantes da caminhada.

Quem também esteve presente durante o ato público foi o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante Junior, que fez todo o percurso da caminhada. Em frente a Alepa, ele saudou todo o povo do Pará. 'Estou muito feliz em ver os estudantes, os trabalhadores e a sociedade civil para juntos falarmos que não toleramos mais esse tipo de político, que o dinheiro público não pode servir para robalheira e safadeza. Temos que dar um basta na corrupção pois o povo do Pará não merece esse tipo de gente, que rouba nosso dinheiro', disse.


Jarbas Vasconcelos e o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante Junior

Um dos discursos mais aplaudidos foi do bispo Dom Luiz Ascona. Ele subiu no trio elétrico e falou à toda população . 'Eles estão explorando e corrompendo a dignidade e a ética do povo do Pará. Não aguentamos mais a presença dos senhores e senhoras, por isso, o povo pede que os senhores saiam voluntariamente por coerência e consciência cívica e cristã',  fazendo referência aos deputados envolvidos na fraude.


Bispo Dom Luiz Ascona, durante discurso aplaudido pela população
'Se afastem, caiam fora, chegou a hora histórica de um Pará lavado, renovado, limpo, com seriedade e dignidade. Esses políticos perderam a dignidade e a ética para continuar em cargo que deve servir à ética', disse.

Ascona ainda falou diretamene ao ex-deputado, Juvenil. 'Deputado, por que você não apoiou a CPI? E os demais deputados que não apoiaram? Os senhores tem interesse pessoal ou político, estão na ambiguidade, por isso, vocês são cúmplices, amigos do ladrões porque se não fossem apoiariam a Comissão para investigar as fraudes', finalizou.

Outra que fez questão de acompanhar a caminhada foi a senadora Marinor Brito, que parabenizou o povo paraense pelo ato. 'A nossa trajetória de luta política no estado tem se pautado pela defesa do interesse público, pela ética e democracia e não posso deixar, nesse momento, de parabenizar a coragem do nosso povo de ir as ruas, mostrar a cara para transformar o mundo e torná-lo diferente, que acredite na época e na justiça social', conta Marinor.


A mobilização foi organizada pela Ordem dos Advogados do Brasil - seção Pará (OAB-PA), apoiada pelas Organizações Romulo Maiorana.

Fonte: Portal ORM
Fotos: Danielle Zuquim e Heloá Canali

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Secretaria especial de políticas para Mulheres realiza mais umaedição do Forum Nacional de Organismos Governamentais de Políticas para as Mulheres

Iniciou-se hoje, no hotel St. Peter, em Brasília, o Encontro Nacional de Organismos Governamentais de Políticas para as Mulheres. O Encontro vai até dia 25/05 e vai discutir o Brasil que queremos e o papel dos governos na construção da igualdade. O evento teve como mesa de abertura a conferência As Mulheres no Brasil de Hoje: Dados, Condições e Desafios, onde o Sr. Nabil Kadri, da Secretaria Extraordinária do Programa Brasil sem Miséria explanou o programa com o mesmo nome que o governo federal pretende lançar em breve e o Sr. Jorge Abrahão, diretor do IPEA, mostrou dados sobre a situação da mulher no Brasil atualmente.
O Encontro ainda discutirá, em grupos formados por mulheres de todo o Brasil, as bases para a realização das Conferências Estaduais e Muncipais, dando subsídio às gestoras para a condução de todo o processo que elegerá as delegadas para a 3ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres que será realizada aqui em Brasília em dezembro deste ano.
Seguem algumas fotos do primeiro dia do Encontro.


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Murilo Ferreira assume a Vale e vai buscar gestão mais descentralizada





Novo presidente da mineradora, que assume o cargo nesta sexta em lugar de Roger Agnelli, terá o desafio de equilibrar as cobranças dos investidores com os interesses do governo
Mônica Ciarelli, de O Estado de S. Paulo

RIO - A era Roger Agnelli na Vale, que durou uma década, termina nesta sexta-feira, 20, quando o executivo passar o cargo de presidente da segunda maior mineradora do mundo para o mineiro Murilo Ferreira. Com a cadeira, o executivo herda a delicada tarefa de satisfazer os interesses dos investidores e do governo, que teve influência direta no afastamento do seu antecessor.
A pessoas próximas, Ferreira tem dito que pretende buscar uma gestão mais descentralizada da empresa, mudando o estilo de comando a que a empresa havia se acostumado com Agnelli, tido como um executivo mais centralizador. Quem já trabalhou com Ferreira diz que sua postura é a de delegar poderes, sem deixar de acompanhar de perto todas as etapas dos principais projetos.
Apesar de assumir uma empresa altamente lucrativa (foram R$ 11,2 bilhões só no primeiro trimestre), e com um ambicioso plano de investimentos, que chega a US$ 24 bilhões para este ano, Ferreira sabe dos desafios que o esperam. "O principal desafio do Murilo Ferreira será reconquistar os investidores. Provar que não vai se curvar ao governo", afirmou o chefe da área de análise da gestora de recursos Modal, Eduardo Roche.
Até o momento, a longa experiência do executivo no setor - ele trabalhava na própria Vale até 2009 - ainda não aplacou o temor de uma maior ingerência política nas decisões da mineradora, priorizando o desenvolvimento social acima dos lucros. A União está no bloco de controle da Vale diretamente, por meio do BNDESPar, o braço de participações do BNDES, e indiretamente, pela Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.
"A relação entre o governo e as mineradoras sempre foi muito grande. O problema agora é que qualquer movimento pode ser interpretado como ingerência política", disse Pedro Galdi, chefe do departamento de análise da corretora SLW. Para ele, Ferreira vai pegar uma empresa bem financeiramente e com projetos que vão permiti-la dobrar de tamanho em cinco anos. Para Galdi, a maior dificuldade será a Vale provar aos investidores que seus planos têm como foco principal seu crescimento.
Relações. Além de reconquistar acionistas, Murilo também terá de reconstruir as relações entre a Vale e o governo, que ficaram estremecidas nos últimos dois anos, principalmente após a demissão de quase 2 mil empregados, em 2008, em meio à crise financeira global, que afetou diretamente o setor de commodities. O desafio de Ferreira passa por dois temas: os investimentos no setor siderúrgico e os royalties da mineração.
Os investimentos em siderurgia, no entanto, não são vistos com bons olhos pelo mercado. Para ganhar respaldo entre os investidores, portanto, o novo comandante da mineradora terá de conter a pressão governamental para envolver a Vale em projetos siderúrgicos.
Popular entre políticos, por criar muitos empregos e ser um produto com maior valor agregado em relação ao minério, o segmento oferece um retorno baixo para a Vale, que consegue margens muito melhores na comercialização do minério de ferro, insumo que teve seu preço reajustado em mais de 100% no ano passado. Roger Agnelli chegou a dizer que não gostaria de se tornar um concorrente dos seus próprios clientes.
Outro desafio de Murilo Ferreira será buscar uma saída rápida - e que agrade ao governo e aos acionistas - para a disputa relacionada a uma dívida de royalties de mineração. O processo se arrasta desde 1991, mas, veio à tona este ano, durante as especulações em torno do interesse do governo na saída de Agnelli da presidência da Vale.
O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) cobra uma dívida de R$ 4 bilhões relativa aos royalties sobre o minério extraído das minas da companhia no Complexo Carajás, no Pará. A empresa alega que a cobrança é irregular.
Além desse imbróglio, Ferreira terá de se posicionar ainda sobre outro ponto polêmico: o pleito de vários municípios mineradores, que exigem um aumento na alíquota dos royalties da mineração, que, hoje, está em 2% sobre as vendas do minério.


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Senado estabelece plebiscito para todo o Estado

No caso de realização do plebiscito que pode desmembrar o Pará para o surgimento de outros dois novos estados - Carajás e Tapajós -, toda a população paraense poderá se pronunciar a respeito do assunto durante o referendo. Isso porque, por unanimidade, o colegiado da Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou ontem uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), de autoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que acaba com a dúvida que existe quanto a interpretação da Constituição Federal sobre o tema.


Pelo artigo 18, parágrafo quatro da Constituição Federal, o termo para definir a abrangência da consulta está definido como 'população diretamente interessada'. O mesmo artigo também trata da fusão, incorporação e criação de novos municípios, e para esse caso, a legislação define que será consultada toda a população do município. Estas designações são consideradas imprecisas por especialistas e poderia dar margem a interpretações divergentes, como a que apenas a população das regiões do Carajás e do Tapajós, que buscam ser desmembradas, deveriam ser ouvidas. Pela emenda à Constituição aprovada pela CCJ, o impasse acaba e fica regulamentado que todos os cidadãos do Estado mencionado devem ser consultados através do plebiscito.


O relator da PEC, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), deu voto favorável à proposta e afirmou durante seu voto que a PEC é fundamental para se eliminar qualquer dúvida sobre os brasileiros que deveriam necessariamente ser ouvidos em um plebiscito do gênero. Agora, se a matéria não receber mais emendas, ela segue para análise da Câmara dos Deputados.

Fonte: O Liberal

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A cerveja Devassa e a questão da mercantilização do corpo feminino

Não é de hoje que a cerveja Devassa, sua publicidade e comercialização, estão em pauta pela questão do machismo e inclusive racismo vinculado ao produto. Respondendo no Conar – Conselho de autorregulamentação publicitária - três processos jurídicos por ter conseguido o que se era inimaginável: extrapolar o “comum” uso da imagem feminina vinculado à venda de cerveja, uma vez que todas as propagandas e marcas sempre expuseram a mulher de forma depreciativa e, mesmo com criticas feministas, dos movimentos sociais, e militantes da esquerda em geral, nunca mudaram em nada a sua estratégia de venda, ou sofreram processos por isso validados pelos juízes.

Todas as marcas sempre venderam em seu marketing não a cerveja, mas as mulheres. O incentivo para o consumo sempre esteve relacionado à dominação do sexo oposto (não podendo nem falar em “conquista”), e essa se daria pela “incrível” atração que as mulheres sentiriam pelos homens que bebem o produto, ou, na maior parte dos casos, sendo as mulheres entendidas como próprio produto. A cerveja Antártica, por exemplo, transforma as mulheres em mercadoria ao usar como slogan “A cerveja BOA” e a Juliana Paes, ou o apelido conferido de “loura” para a mercadoria, e todos os comerciais com mulheres erotizadas, seminuas, “servindo” aos clientes no bar.

A Devassa consegue dar um “passo além” nessa discriminação e mercantilização. A começar pelo seu nome: “Devassa”, usado no feminino. A mesma versão, no masculino, possui outra carga de valor; a começar que é um adjetivo, “devasso” e “devassa” um substantivo feminino, havendo uma mudança na carga semântica:
Devasso-de.vas.so(adj.) 2 Libertino, licencioso.
Devassa-de.vas.sa (sf) 1 Ato ou efeito de devassar.
devassar-de.vas.sar (vtd) 1 Invadir ou observar (aquilo que é defeso ou vedado), 3 Descobrir, penetrar, esclarecer 4 Olhar, contemplar 6 Prostituir(-se), tornar(-se) devasso [1]
Logo percebe-se, sem grandes esforços, a o método utilizado para veiculação do produto: você compra uma mulher, prostituída indiscaradamente. Outro passo, ainda na obviedade, que qualquer pessoa pode ver, mesmo sem assistir ao comercial ou ver a propaganda nos cartazes, simplesmente olhando o produto: na lata uma mulher em pose erótica, seminua. Esse é o logo, a referência. E seu slogan: “Um tesão de cerveja”.

Superficialmente, nos aspectos mais básicos do produto – embalagem e logo-, a cerveja já se mostra completamente machista, e capaz de intensificar a mercantilização do corpo feminino, que já é uma “regra” do marketing das cervejas, de uma forma indiscutível. Somente por esses aspectos já se explica o veto à marca que aconteceu e acontece por parte das feministas e militantes em geral.

A situação, contudo, consegue piorar ao assistirmos o anúncio com a Paris Hilton, veiculado em uma das maiores emissoras de televisão, a rede Globo, com a chamada “Bem loura, bem devassa”. Sofrendo um processo legal e tendo de “mudar” seu comercial, satiriza a crítica, colocando ‘tarjas’ na mulher e recomendando que seja vista a versão original na internet, e na abertura do vídeo escrevem: "O filme da cerveja Devassa com Paris Hilton foi retirado do ar. A quem se sentiu ofendido, oferecemos um filme novo.”. Como se não houvesse ofensa, como se as pessoas tivessem se sentido ofendidas sem um motivo real. Nessa, entraram os defensores da “liberdade de expressão”, como se fosse um AI-5 se indignar com a venda de pornografia no lugar da cerveja, invertendo os papéis.

Depois, lançam a campanha para divulgar a cerveja escura (Dark Ale), com uma mensagem racista e machista: “É pelo corpo que se reconhece a verdadeira negra”, e a imagem de uma mulher negra, sensual, magra e em pose erótica, usando da idéia de que só há corpo, não mente e opinião, nada.

Ganhando visibilidade com essas “polêmicas”, ou, em outras palavras, com a opressão da mulher, a marca, mesmo respondendo a processos, vem ganhando mercado e público. Vários bares já adotaram em seus letreiros o nome “Devassa” e mesas e cadeiras vermelhas de plástico com o logo da cerveja proliferam em todos os lugares.. Foi aí que a questão começou a ficar mais problemática, em especial se você tem veto contra a cerveja. Além de sair e não ter o que beber (porque sim, em muitos lugares só existe essa bebida sendo comercializada), sempre começa a discussão: “mas todas as outras cervejas também são machistas, dá no mesmo”. Sim, todas são. Todas vendem o corpo feminino como produto, mas a Devassa extrapola esses “limites”, o “velado”, que já é horrível por si só e que ajuda na objetificação da mulher. Mas a aceitação, por parte da sociedade brasileira, do machismo descarado da Devassa é, sim, um problema, e deve ser encarado de maneira mais séria por parte dos ativistas (muitos dos quais não se preocupam em denunciar nenhum tipo de machismo, nem o velado, nem o descarado).

Sempre que esse debate entre em voga várias pessoas argumentam dizendo que todas as cervejas era tão machistas quanto a Devassa, e que dava no mesmo eu comprar aquela lata com uma mulher nua, ou comprar uma de qualquer outra marca, então, decidi fazer uma pesquisa das principais marcas e propagandas, entrando nos sites, vendo os vídeos. Todos os sites de bebidas alcoólicas perguntam se você é maior de idade, e se é responsável pelo acesso, menos o da Devassa. Nesse não tive que declarar nada. Em todos os sites você pode ver as propagandas e os produtos, de maneira geral, nada que varie muito. No da Antártica, você pode ter uma “ajuda” sobre como preparar festas, há um sistema de cálculo pessoas-comida/bebidas, nada demais. Somente o da Devassa conseguiu ser mais machista ainda.

O site possuí muitos outros “atrativos”, como a história da cerveja, um “manifesto”, “gifs”, e um “canal devassa” com informes do produto. Fui visitando link por link. Nenhum outro site vendia a mulher da mesma forma, ou vinculava diretamente, conscientemente o produto à imagem da mulher:

“Uma cerveja que se autoproclama Devassa deve ser no mínimo autêntica. Porque assume tudo o que as outras cervejas gostariam de ser, mas morrem de vergonha.
Devassa é bem alegre, tem aquele astral que atrai coisas boas, pessoas interessantes e papos divertidos. Pedir uma Devassa tem a dose certa de segundas intenções.
Quem bebe Devassa procura liberdade. Nada de fazer tipo, caras e bocas, fingir ser o que não é.
Devassa é bem espirituosa, te pega pelo colarinho, te seduz pelo aroma e faz você se apaixonar de vez pelo sabor.
Tanto que muita gente não resiste à tentação. E assim como a cerveja, Devassa tem seu irresistível chope - cru, não-pasteurizado e sempre fresquíssimo. Além da suavidade e do sabor inconfundível, tem um creme que é pura luxúria. Bastam dois a três dedos para garantir uma legião de fãs. Enfim, quem conhece sabe.
Com Devassa a vida fica bem gostosa.” (grifos meus)

Ao lado do manifesto você pode se informar mais sobre a Devassa, clicando em outros links (que, confesso, não cliquei. Já estava saturada de machismo): “A história da Devassa é um tesão” e “Daqui sai um tesão de cerveja”.

Na seção dos produtos, um diferencial que não vi em mais nenhum site de nenhuma marca de cerveja: as variedades são denominadas por: “loura”, “ruiva”, “negra”, “índia” e “sarará”. Você compra, diretamente, a sua preferência feminina, não a cerveja, e as descrições do produto giram em torno de atributos femininos, de sua descrição corporal. Em um cardápio de bar você não compra a cerveja, mas a mulher, diretamente. Em outras marcas, a propaganda remete à venda do corpo, , mas não é, de fato, a venda. Comprando a Devassa, você paga o preço de uma loura, ou ruiva, ou negra, ou índia, ou sarará.

As mulheres estiveram, em muitas épocas da humanidade, e ainda estão, ligadas à troca de produtos, ou sua venda, tendo sua existência balizada por valores atribuídos às mercadorias. Seja como escravas, - como, por exemplo, acontecia em sociedades da Antiguidade Clássica- onde eram tidas como espólio de batalhas, ou no séc. XX, com a questão dos “dotes”, em que seu valor era medido por suas habilidades como dona-de-casa e esposa, e, também, no quanto “valeria” para o homem e se seria lucrativo, assim, o enlace matrimonial. Superada a caracterização como tesouro de guerra, e a questão do dote como situação cultural e “natural”, ainda não se desvinculou a mercantilização do seu corpo e, conseqüentemente, de sua existência enquanto indivíduo.

A caracterização da feminilidade passa por uma série de preceitos ditados pela publicidade e propaganda, tanto na questão de produtos que tenham por público alvo as mulheres, quanto em anúncios destinados aos homens, que têm o consumo incentivado pelo pelo suposto “prazer” que as mulheres sentiriam em ver homens usando determinado produto e a conseqüente “conquista” das fêmeas por isso - que seria a função principal. O que leva a uma caracterização estética, comportamental e, também, do próprio prazer feminino e, nos dois casos, a mulher é colocada como mais um produto de consumo masculino.

Subjugadas à situação do mercado e às expectativas masculinas, as mulheres se vêem obrigadas a adotar uma série de comportamentos e padrões. Tal qual a questão da “magreza”, posta como uma questão de “saúde” e cuidados com o corpo, sendo que o que se vê na atualidade é o crescente números de jovens que sofrem de transtornos alimentares, como anorexia e bulimina. De acordo com estatísticas, essas duas doenças atingem cerca de 20% dos jovens – entre 15 e 20 anos - e afetam 10 mulheres a cada 1 homem[2] . Além da questão do “manequim” feminino, se observa, também, uma crescente insatisfação com o próprio corpo no que tange às “formas”, com um crescimento de 300% nos últimos dez anos de aplicações de próteses de silicone, e as 70 mil cirurgias plásticas realizadas em 2006, atingindo um marco nunca visto na sociedade brasileira.[3]

“(...) o peso das modelos de moda desceu para 23% abaixo do peso das mulheres normais, aumentaram exponencialmente os distúrbios ligados à nutrição e foi promovida uma neurose de massa que recorreu aos alimentos para privar as mulheres da sua sensação de controle. As mulheres insistiram em dar um caráter político à saúde. Novas tecnologias de cirurgias "estéticas" potencialmente fatais foram desenvolvidas com o objetivo de voltar a exercer sobre as mulheres antigas formas de controle médico.” 4

As propagandas de cerveja corroboram para esses padrões. São mais um dos diversos mecanismos empregados para propagar um ideal de beleza e existência que não existe.

Felizmente, atualmente, muitas marcar de cerveja já mudaram e melhoraram em muito, sua maneira de comercializar o produto - ainda que outros avanços ainda sejam necessários, como desvincular a imagem de cerveja como um produto masculino, por exemplo. Os novos comerciais deste ano ganharam outro caráter; no mais das vezes mostram amigos, samba, e personalidades famosas.

Menos o da Devassa, que se mantém na linha do machismo e mercantilização escancarada do corpo da mulher. Nesse primeiro semestre, mudaram sua “garota propaganda” para a Sandy, ícone de uma geração toda como “santa”, “casta”, “modelo a ser copiado”, querendo deixar claro que qualquer mulher é devassa, podendo ser um produto fácil de ser adquirido, já que até a mulher mais pura pode fazer um comercial erótico e ser musa da marca.

Obviamente não foram as marcas de cerveja, nem a Devassa por si, que criaram nem a mercantilização do corpo feminino, nem a dicotomia entre mulheres “santas” e “putas”, nem a caracterização da cerveja como algo masculino, nem o racismo. Mas, reforça e dissemina essas idéias utilizando-se de uma falsa idéia de “libertação sexual”, coloca a idéia da mulher-objeto como “natural”, “bem aceito”, ligado ao seu “público alvo”, o famoso backlash .


Por isso, como já disse uma colega de militância: não tomo Devassa e chamo de machista quem vende!

<!--[if !supportFootnotes]-->[1] Significados retirados de Dicionário Michaelis Online http://michaelis.uol.com.br, e colocados os significados referentes ao contexto, para visualizar todos os outros: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=devassar
[2]
<!--[endif]-->
Dados retirados de Jornal da Manhã – MG Por Fahim Sawan - Médico e Deputado Estadual
[3] Texto original em “Cadernos Marcha Mundial de Mulheres” Disponível em: http://www.sof.org.br/arquivos/pdf/Miolo_MMM.pdf
[4] WOLF, Naomi O mito da Beleza- como as imagens de beleza são usadas contra as mulheres, Ed. Rocco, 1992, p. 14